Oposição se compromete a impulsionar libertação de presos políticos na Venezuela
A delegação da oposição nas negociações com o governo interino da Venezuela comprometeu-se, nesta quinta-feira (13), a trabalhar pela libertação dos presos políticos, uma demanda que permaneceu em segundo plano durante a primeira rodada de conversas, concluída na véspera.
Sob os auspícios dos Estados Unidos, as partes encerraram na noite de quarta-feira um primeiro ciclo de seis dias de negociações, realizado sete meses após a derrubada de Nicolás Maduro em uma operação militar americana.
“Assumimos esse compromisso e nosso propósito é trabalhar para que, nos próximos dias, ocorram as libertações” de presos políticos, escreveu no X a líder da delegação opositora, Dinorah Figuera, que liderou a bancada de oposição que conquistou a maioria da Assembleia Nacional em 2015.
A dirigente afirmou que se reuniu na terça-feira, separadamente, com um grupo de ex-detidos e familiares de presos políticos que apoiam o diálogo.
“Recebemos esse apoio com plena consciência do significado que tem, para o restabelecimento da democracia, levantar a bandeira da liberdade e desenvolver uma agenda para alcançar garantias políticas e plenos direitos civis”, acrescentou.
Segundo a ONG Foro Penal, ainda há 382 presos políticos detidos na Venezuela.
A equipe de negociação do governo é liderada por Jorge Rodríguez, presidente do Parlamento e irmão da presidente interina Delcy Rodríguez.
Na quarta-feira, as partes concordaram em avançar rumo a uma reforma do Judiciário, com a nomeação de todos os magistrados do Tribunal Supremo e uma revisão da legislação que rege a corte. Também concordaram em unir esforços para recuperar ativos venezuelanos em ouro congelados na Inglaterra.
“O que temos até agora são processos, não resultados”, ponderou Benigno Alarcón, analista político e professor universitário com experiência em negociações.
- “Instrumentalização do sofrimento” -
Uma opositora próxima às negociações disse à AFP, sob condição de anonimato, que “não existe uma lista de presos colocada sobre a mesa” nas conversas com o governo interino.
“Isso abre espaço para a instrumentalização do sofrimento humano”, afirmou. O chavismo já utilizou presos políticos como “moeda de troca” em diversas ocasiões, lembrou Alarcón.
“Eles não representam um perigo real para o governo”, enquanto “para a oposição seria um ganho muito importante” conseguir as centenas de libertações ainda pendentes, avaliou.
“Ao governo não interessa fortalecer aqueles que estão à mesa de negociação nem lhes dar maior legitimidade. Pelo contrário, o governo se sente muito confortável” com as “divisões na oposição”, acrescentou o analista.
O diálogo ocorre sem a participação da líder opositora e vencedora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, exilada no Panamá, que afirmou não interferir no processo.
Sob fortes pressões de Washington, a presidente interina promulgou em fevereiro uma lei de anistia destinada a beneficiar centenas de pessoas presas por razões políticas.
Defensores dos direitos humanos, no entanto, classificam a medida como insuficiente e discriminatória. O apelo por novas libertações continua presente nas ruas, onde dezenas de familiares de presos políticos exigem sua soltura.
H.Guyot--PP