Petit Parisien - Lula e Bolsonaro reúnem multidões antes de duelo final nas urnas

Paris -
Lula e Bolsonaro reúnem multidões antes de duelo final nas urnas
Lula e Bolsonaro reúnem multidões antes de duelo final nas urnas / foto: MAURO PIMENTEL - AFP

Lula e Bolsonaro reúnem multidões antes de duelo final nas urnas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) mobilizaram neste sábado (24) dezenas de milhares de apoiadores fervorosos, que coloriram as ruas do Brasil com bandeiras, antes da batalha final nas urnas, neste domingo.

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A direita busca consolidar a vitória que o senador, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), obteve no primeiro turno, com 47% dos votos, contra 45% de Lula.

A esquerda sonha com uma virada no segundo turno.

Em frente à praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, uma maré vermelha avançou ao lado do presidente Lula, que está prestes a completar 81 anos e subiu em uma caminhonete ao som da música.

"O povo tem que escolher: ou alguém que beija a bandeira nacional ou alguém que beija a bandeira americana. É uma questão de soberania e nós não permitiremos que o Brasil seja quintal de ninguém", declarou o petista, com a voz mais rouca do que o habitual após dias intensos de campanha.

Nícolas da Silva, funcionário de hotel de 25 anos, reconheceu que o esforço nas ruas e nas redes sociais para conseguir a virada está sendo "muito pesado".

"Eu tô cansado, mas não tem como descansar", contou à AFP. "A gente tá lutando, virando voto, lutando contra o fascismo, a favor da democracia."

Depois do comício em Copacabana, Lula viajou para São Paulo e recebeu uma multidão em uma avenida Paulista lotada.

— "Eles afundaram o país" —

Em Belo Horizonte, famílias e motociclistas lotaram a Praça da Liberdade ao lado de Flávio Bolsonaro, de 45 anos.

"O partido que está lá hoje quer deixar as pessoas dependentes do Estado. A gente preza pela liberdade", disse à AFP o empresário Ebert Dorigo, ecoando uma crítica frequente entre os apoiadores de Bolsonaro aos programas sociais de Lula.

Em seguida, o senador foi à Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, para visitar a casa onde seu pai se recuperou depois de ser esfaqueado durante a campanha de 2018, que o levou à Presidência.

Cartazes com os dizeres "Fora Lula" e bandeiras dos Estados Unidos e de Israel se destacavam entre os milhares de participantes, incluindo um grupo de crianças com quem o senador tirou selfies ao chegar.

Ele também dançou e rezou junto à multidão.

Vestindo a camisa da seleção brasileira e um boné verde, Ilma Gomes de Souza, professora de 53 anos, contou à AFP que, na juventude, votou em Lula porque se deixava "influenciar".

"Eles tiveram muitos anos para mudar o Brasil, mas afundaram o país", criticou.

— "Lula ganha amanhã" —

Flávio Bolsonaro promete uma postura rigorosa no combate ao crime, livre mercado e proximidade com os Estados Unidos, seguindo a linha de seu pai, condenado a 27 anos de prisão por tentar dar um golpe de Estado após perder para Lula em 2022.

Lula, que busca um quarto mandato, aposta, em parte, na rejeição a um retorno da família Bolsonaro ao poder.

"Lula ganha amanhã. Pelo trabalho do jovem na rua e pelo celular", disse na avenida Paulista Flores Tonietti Filho, aposentado de 71 anos, referindo-se ao telefone que o presidente começou a utilizar nesta campanha para falar diretamente com seus eleitores.

A América Latina acompanha de perto a eleição.

Desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, em 2025, a direita venceu a maioria das eleições presidenciais na região.

Lula acusa Washington e a Meta de tentar interferir nas eleições, em meio a uma disputa judicial envolvendo supostas ações ilegais de ambas as campanhas nas redes sociais.

A empresa americana nega as acusações.

— "Nove dedos" —

Os dois candidatos se enfrentaram na sexta-feira em um último debate na TV Globo, no qual falaram mais sobre propostas do que no primeiro, marcado por insultos.

Lula atacou a inexperiência de seu adversário, enquanto Flávio Bolsonaro apresentou o presidente como um político do passado, com "ideias que não funcionam mais".

Um dos momentos mais tensos ocorreu quando o senador o acusou de conceder benefícios sociais "com uma mão e tirar com os nove dedos".

Ele se referia ao dedo que Lula perdeu em um acidente de trabalho na juventude, quando trabalhava como metalúrgico.

Flávio pediu desculpas, mas, neste sábado, Lula publicou em suas redes sociais uma foto de sua mão sem o dedo mínimo apoiada sobre a bandeira brasileira, acompanhada da mensagem: "Trabalhadores e trabalhadoras do Brasil, uni-vos. Nós merecemos respeito".

C.Langlois--PP