Retorno de María Corina Machado aumenta pressão sobre transição democrática na Venezuela
A capacidade de mobilização demonstrada pela líder opositora María Corina Machado com seu retorno à Venezuela aumenta a pressão sobre a transição democrática negociada por parte da oposição e pelo governo interino, com o apoio dos Estados Unidos.
Após dez meses de exílio, Machado apareceu no domingo (25) em Barquisimeto (oeste) e iniciou uma viagem de quase 400 km até Caracas. Sua caravana mobilizou milhares de pessoas em vários estados do país, congestionou estradas e provocou grandes comemorações.
"Um novo capítulo se abre para o país", afirmou Glendis Pirela, de 44 anos, que se juntou à multidão com o neto nos braços.
Para Julia Puerta, professora de 42 anos, "as portas se abrem para uma nova Venezuela".
O retorno de Machado recoloca no debate político a figura mais influente da oposição venezuelana, em meio às negociações entre um setor da oposição e o governo interino liderado por Delcy Rodríguez.
Nesta segunda-feira, a chefe de comunicação do partido de Machado, Claudia Macero, reiterou que a líder opositora está disposta a se reunir com Rodríguez.
Machado "manifestou sua disposição de se sentar não apenas com Delcy (Rodríguez), mas com quem for necessário, diante do país, com total clareza e com uma agenda para que essas coisas aconteçam", afirmou.
Embora sua agenda ainda seja desconhecida, Macero assegura que "nas próximas horas ela deverá se dirigir ao país".
O governo interino não se pronunciou sobre o retorno da opositora.
- Eleições livres -
Machado não foi incluída na mesa de diálogo, mas afirmou que não criaria obstáculos às negociações. Com seu retorno, as expectativas se concentram em sua participação nas conversas iniciadas em agosto.
"Há um processo de discussão em uma mesa de diálogo, há um processo de tutela (...) mas as pessoas sentem que falta uma cadeira nessa mesa, e é a delas", afirmou nesta segunda-feira Claudia Macero, porta-voz do partido de Machado, em entrevista à rádio local Unión Radio.
"Acho que o papel de María Corina é ouvir essas propostas das pessoas e incorporá-las à discussão", acrescentou Macero.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou no domingo que o retorno da opositora foi "resultado direto" do processo de "reconciliação" promovido na mesa de diálogo para a transição democrática.
Delcy Rodríguez governa a Venezuela interinamente desde a captura de Nicolás Maduro em uma operação militar americana, em janeiro.
A mesa de diálogo busca articular esse processo por meio de acordos que melhorem as condições para uma transição democrática.
A União Europeia afirmou nesta segunda-feira que o retorno de Machado é uma "oportunidade" para avançar no diálogo "com previsão de eleições livres e justas".
Machado está impedida de disputar eleições. Na última rodada de negociações, foi acordada uma revisão das leis que restringem a participação política na Venezuela, sem mencioná-la diretamente.
O partido de Machado, Vente Venezuela, exige a realização de eleições presidenciais em 2027, após ter denunciado fraude nas eleições de 2024, que afirma terem sido vencidas por seu candidato, Edmundo González Urrutia, contra Maduro.
"Acredito que, quando a data for anunciada, os venezuelanos terão a certeza de que a mudança está chegando", afirmou Macero.
I.Chauvin--PP