Petit Parisien - Delcy Rodríguez acusa María Corina Machado de fazer um "show" com retorno à Venezuela

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Delcy Rodríguez acusa María Corina Machado de fazer um "show" com retorno à Venezuela
Delcy Rodríguez acusa María Corina Machado de fazer um "show" com retorno à Venezuela / foto: Federico PARRA - AFP

Delcy Rodríguez acusa María Corina Machado de fazer um "show" com retorno à Venezuela

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, acusou nesta segunda-feira (26) a líder da oposição María Corina Machado de fazer um "show" com seu surpreendente retorno ao país, em um sinal da tensão que persiste apesar de a dirigente ter afirmado estar aberta ao diálogo.

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Machado apareceu de surpresa no domingo na cidade de Barquisimeto e iniciou uma viagem de 400 km até Caracas. Ao longo do caminho, milhares de pessoas a saudaram com entusiasmo, agitando bandeiras venezuelanas e entoando "Liberdade!".

A opositora, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, voltou à Venezuela após dez meses de exílio e depois da captura do presidente Nicolás Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos, em janeiro.

"Poderia evitar-se o show, os aeroportos estão aí", disse Rodríguez nesta segunda-feira, em declarações transmitidas pela televisão estatal. A presidente interina governa sob pressão de Washington.

A capacidade de mobilização demonstrada por Machado aumenta a pressão sobre a transição democrática negociada por parte da oposição com o apoio dos Estados Unidos.

"Espero que o diálogo continue sendo um espaço para a participação política" e para a "convivência democrática" de todas as vozes, disse Rodríguez.

No entanto, ela também cobrou "que aqueles que fizeram mal à Venezuela, que aqueles que pediram sanções e agressões externas, sintam algum remorso e arrependimento".

O governo chavista acusa a oposição de ter solicitado as sanções que os Estados Unidos impuseram à Venezuela na última década. Em 2024, o governo abriu uma investigação contra Machado por traição à pátria.

— Um novo capítulo —

Nesta segunda-feira, Machado estendeu um ramo de oliveira a Rodríguez, ex-vice-presidente de Maduro.

Machado "manifestou sua disposição de se sentar à mesa não apenas com Delcy [Rodríguez], mas com quem quer que seja necessário, diante do país e com total clareza, com uma agenda para que essas coisas aconteçam", afirmou sua porta-voz, Claudia Macero, à emissora local Unión Radio.

A opositora de 59 anos deixou o país em segredo em dezembro passado para receber o Nobel, após passar quase um ano escondida. Seus apoiadores foram às ruas e às praças no domingo para celebrar seu retorno.

"Abre-se um novo capítulo para o país", afirmou Glendis Pirela, de 44 anos, com o neto nos braços.

Machado não foi incluída na mesa de diálogo, mas afirmou que não iria obstruí-la. Com seu retorno, as expectativas se concentram em sua participação nas negociações iniciadas em agosto.

"Há um processo de discussão em uma mesa de diálogo, há um processo de tutela (...) mas as pessoas sentem que falta uma cadeira nessa mesa, e essa cadeira é a delas", disse Macero.

"Creio que o papel de María Corina é ouvir as propostas das pessoas e incorporá-las à discussão”, acrescentou.

— "Retornar sem contratempos" —

Machado, de 59 anos, havia feito várias tentativas frustradas de retornar à Venezuela, segundo fontes de seu partido.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou nesta segunda-feira que seu governo vinha dizendo "há semanas e semanas" às autoridades interinas da Venezuela que Machado "deveria ter permissão para retornar sem contratempos".

"Sabemos muito bem que ela queria voltar. E a única coisa que posso dizer a esse respeito é que (...) conversamos com as autoridades provisórias e simplesmente lhes dissemos: 'Ela deveria poder voltar com total tranquilidade'."

"E eles nos responderam que ela poderia pousar no aeroporto, se assim desejasse, e transmitimos essa informação à equipe dela", esclareceu Rubio em declarações a jornalistas.

No domingo, ele havia afirmado que o retorno da opositora foi resultado direto do processo de "reconciliação" promovido na mesa de diálogo com vistas à transição democrática.

Washington promove na Venezuela um plano de três fases: estabilização, recuperação econômica e transição.

A União Europeia afirmou nesta segunda-feira que o retorno de Machado representa uma "oportunidade" para avançar no diálogo "com vistas à realização de eleições livres e justas".

Alinhado aos Estados Unidos, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Albert Ramdin, manifestou a esperança de que o retorno de Machado permita "avançar rumo à realização de eleições livres e a uma transição democrática".

"É fundamental garantir sua segurança e o pleno exercício de seus direitos políticos, assim como os de todos os venezuelanos", acrescentou Ramdin.

O partido de Machado, Vente Venezuela, exige a realização de eleições em 2027, depois de denunciar fraude nas eleições de 2024 e reivindicar a vitória de seu candidato, Edmundo González Urrutia, sobre Maduro.

U.Lefort--PP